Bahia x Santos: 2 a 0 na Fonte Nova amplia série invicta e aprofunda crise santista

Bahia x Santos: 2 a 0 na Fonte Nova amplia série invicta e aprofunda crise santista
Luana Bassaneze 25 agosto 2025 0 Comentários

Bahia domina, faz 2 a 0 e deixa o Santos mais pressionado

Nove jogos sem perder, casa cheia e um maestro em noite afiada. O Bahia venceu o Santos por 2 a 0 na Arena Fonte Nova e sustentou a campanha de G-4 no Brasileirão. O placar resume bem o que foi o jogo: equipe organizada, agressiva sem a bola e paciente para construir. Do outro lado, um Santos travado, sem circulação por dentro e refém de bolas longas. Em campo, o protagonista teve nome e sobrenome: Everton Ribeiro.

O recorte do primeiro tempo já dava a medida. Mesmo após perder Ademir cedo por lesão, o Bahia manteve o ritmo alto, empurrando o Santos para trás com pressão coordenada na saída e muita aproximação pelos lados. O gol surgiu em jogada que explica o modelo: posse por dentro, inversão rápida e passe de Everton Ribeiro para Luciano Juba, que acertou um chute de rara felicidade de fora da área. Foi a faísca que acendeu a Fonte Nova.

O Santos, que veio a Salvador ainda sob o impacto do 6 a 0 para o Vasco e com Matheus Bachi no comando interino após a saída de Cleber Xavier, tentou reagir. Sem Neymar (suspenso), faltou gente para conectar meio e ataque. As chegadas mais perigosas nasceram com Rollheiser e Caballero, mas foram lampejos isolados. Sem apoio dos laterais e com dificuldade para progredir por baixo, o time se agarrava a ligações diretas que morreram no miolo de zaga baiano.

Na volta do intervalo, o Bahia não baixou a guarda. Willian José ficou no vestiário e Lucho Rodríguez entrou para dar mais ataque à profundidade. Funcionou. Em construção que envolveu Arias por dentro, Everton Ribeiro enxergou o desmarque e enfiou a bola na medida para o uruguaio atacar o espaço e bater na saída de Brazão. Frieza na definição, precisão na assistência. Mais uma vez, o veterano camisa 10 leu o jogo antes de todo mundo.

A partir dali, o controle foi tricolor. Linhas ajustadas, transições curtas e temporização quando foi preciso. O Santos esboçou pressão, mas não teve sequência de vantagens. Faltou saída limpa com os zagueiros, faltou um meia para dar o primeiro passe vertical, faltou, sobretudo, calma. O Bahia, por sua vez, soube administrar. Não recuou de vez, manteve a ameaça no contra-ataque e matou o relógio sem se expor.

Um detalhe fora das quatro linhas também virou assunto: a presença de Carlo Ancelotti na tribuna. O técnico do Real Madrid acompanhou a partida e viu de perto a atuação de Everton Ribeiro, autor das duas assistências. Nada de alarde: não há relação direta, mas é o tipo de performance que chama atenção de qualquer observador. Leitura de espaços, ritmo e tomada de decisão no tempo certo.

O resultado consolida a campanha do Bahia na parte de cima da tabela, com 36 pontos e um recorte de consistência que não é casual. Sistema defensivo bem encaixado, laterais participando por dentro quando a jogada pede, volantes oferecendo linha de passe e pontas com liberdade para atacar o último terço. Quando o jogo trava, a equipe tem alternativa: bola parada, chute de média distância e jogadas de inversão rápida.

Para o Santos, a noite reforça a urgência por ajustes estruturais. Não é só questão de vestiário ou de discurso. O time precisa de mais criatividade entre linhas, de um primeiro passe qualificado e de lastro físico para sustentar pressão alta. Sem isso, a equipe vira refém de disputas aéreas e segundas bolas, um caminho curto contra times organizados como o Bahia.

No contexto do confronto, um ponto tático ficou claro: o Bahia buscou superioridade numérica nos corredores, com apoio do meia ao lado da bola e do lateral fechando por dentro para proteger a transição. Já o Santos, ao tentar alongar as jogadas com esticões, se desconectou do próprio meio-campo. Quando recuperava a posse, estava distante do gol, sem conexões curtas para acelerar. O placar, então, foi consequência.

Bahia x Santos também expôs o momento anímico de cada lado. Enquanto o Tricolor joga leve, com confiança para repetir movimentos treinados, o Alvinegro vive de urgências. A cada erro, vem o peso da sequência negativa; a cada passe lateral, a impaciência. E isso transparece nas escolhas em campo.

Próximos passos: Bahia mira a Copa do Brasil; Santos cobra respostas imediatas

A vitória dá ao Bahia a chance de respirar no Brasileirão e ajustar o foco na Copa do Brasil. Na quinta-feira, às 19h30 (de Brasília), o time volta à Fonte Nova para enfrentar o Fluminense no jogo de ida das quartas. A leitura é simples: sem nunca ter chegado às semifinais, o clube enxerga uma oportunidade real e busca levar vantagem para o duelo de volta. Manter intensidade, controlar o emocional e administrar a carga física serão os pontos-chave nesta semana.

Em termos de elenco, o Bahia ganha alternativas. Juba cresce de produção em jogos grandes, Lucho Rodríguez oferece profundidade e mobilidade, e Everton Ribeiro é o elo entre as fases do campo. A dúvida fica por conta de Ademir, que saiu lesionado. O departamento médico vai ditar se há risco de desfalque imediato.

Do lado santista, a derrota amplia a pressão por mudanças que já estavam no papel. A diretoria aguarda a chegada de Juan Pablo Vojvoda, mas ninguém no clube se ilude de que só trocar o comando resolva. É questão de peça e de ideia. O time carece de um meia que quebre linhas, de um volante com qualidade na saída sob pressão e de uma linha defensiva menos exposta a costas. E isso é trabalho de treino, mas também de mercado.

Há o fantasma recente: a queda para a Série B em 2023. O discurso interno admite que a prioridade é estabilizar o campeonato antes de pensar em algo maior. Sem pontos fora de casa e sem segurança na Vila, o risco cresce. O calendário não espera: jogos encavalados, viagens e pouco tempo de trabalho. A resposta precisa ser rápida, com metas de curto prazo claras — pontuar, reduzir erros não forçados e recuperar confiança.

Alguns sinais práticos para os próximos jogos fazem diferença: saída de três para aliviar a primeira pressão rival, aproximação do ponta ao meia para criar triângulos e um centroavante que participe da parede para girar a defesa adversária. São ajustes simples no papel, mas que pedem repetição. Sem isso, a oscilação vira rotina.

Em Salvador, a noite terminou com sensações opostas. O Bahia sai com mais lastro para sustentar o G-4 e com a cabeça no duelo de mata-mata. O Santos volta com lições duras e a urgência de transformar diagnóstico em ação. O placar foi 2 a 0, mas a mensagem foi mais ampla: projeto conta, ideia conta, e confiança, quando aparece, muda o jogo.