CBF remaneja jogos do Atlético-MG por final da Sul-Americana; calendário aperta antes de decisão em Assunção

CBF remaneja jogos do Atlético-MG por final da Sul-Americana; calendário aperta antes de decisão em Assunção
Luana Bassaneze 25 novembro 2025 19 Comentários

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) confirmou um dos calendários mais densos da história recente do Clube Atlético Mineiro. Três jogos do Brasileirão 2025 foram remanejados para garantir uma semana completa de preparação antes da final da Copa Sul-Americana contra o Lanús no Estádio Defensores del Chaco, em Assunção, marcada para 22 de novembro. O Galo, atualmente em 11º lugar com 41 pontos, terá que encarar sete partidas em apenas 26 dias — incluindo uma final internacional em outro país. A pressão é imensa, mas a CBF insiste: "é sobre dar condições reais aos finalistas continentais".

Calendário apertado: um time, sete jogos, um objetivo

O primeiro jogo remarcado foi o da 16ª rodada, entre Atlético-MG e Fortaleza. Originalmente agendado para 24 de setembro, foi transferido para 12 de novembro, às 21h30, na Arena MRV, em Belo Horizonte. É o único jogo pendente para que ambos os times igualem o número de partidas disputadas na tabela. Enquanto o Galo busca retomar o ritmo de vitórias para entrar na zona da Libertadores, o Fortaleza, com 32 pontos, vive na 17ª posição — exatamente na zona de rebaixamento. Para eles, o jogo em novembro é uma oportunidade de fuga.

Outra mudança drástica: o duelo da 37ª rodada contra o Red Bull Bragantino, que seria em 3 de dezembro, foi antecipado para 16 de novembro, também na Arena MRV. A decisão foi tomada para evitar que o Atlético-MG encarasse três jogos em cinco dias antes da final da Sul-Americana. "É um sacrifício logístico, mas necessário", admitiu um dirigente da CBF sob condição de anonimato. "Ninguém quer que um time chegue à final com o corpo quebrado por um calendário mal feito".

Flamengo, Palmeiras e o caos da Libertadores

A confusão não para por aí. O jogo entre Atlético-MG e Flamengo, previsto para 30 de novembro, foi antecipado para 25 de novembro, às 21h30, em Belo Horizonte. Por quê? Porque o Flamengo também está na final da Libertadores da América — contra o Palmeiras, em 29 de novembro. A CBF decidiu: toda a rodada que antecede a final da Libertadores será jogada na terça-feira, 25 de novembro, para dar cinco dias de descanso aos dois finalistas. O mesmo vale para o confronto entre Grêmio e Palmeiras, que também foi movido para o dia 25.

Isso cria um cenário surreal: o Atlético-MG enfrenta o Bragantino em 16 de novembro, viaja para Assunção em 20 de novembro, joga a final em 22, volta no dia 23, treina no dia 24 e joga o Flamengo no dia 25. Sem folga. Sem descanso. Só adrenalina.

O jogo que ainda não tem data: Atlético-MG x Palmeiras

O jogo que ainda não tem data: Atlético-MG x Palmeiras

O mais incerto de todos: o jogo da 34ª rodada entre Atlético-MG e Palmeiras, originalmente marcado para 19 de novembro, foi adiado para uma data ainda não definida. A CBF diz que será "no início de dezembro", mas ainda não divulgou o dia. Esse jogo pode ser decisivo para a classificação à Libertadores — e o Palmeiras, mesmo com a final da Libertadores, ainda precisa de pontos para garantir vaga no Brasileirão. Se o Palmeiras vencer a Libertadores, pode priorizar a competição continental e jogar o jogo com reserva. Se perder? A pressão aumenta.

Outros jogos também foram mexidos: o duelo entre Palmeiras e Vitória foi antecipado para 19 de novembro, e o jogo entre Grêmio e Palmeiras, que era para 30 de novembro, foi movido para 25. Tudo para evitar que times finalistas da Libertadores ou Sul-Americana tenham que jogar com menos de 72 horas de descanso.

As consequências para o futebol brasileiro

Essa enxurrada de mudanças expõe um problema antigo: o calendário brasileiro não foi feito para conciliar competições nacionais e continentais. Enquanto na Europa, ligas como a Premier League ou La Liga reservam janelas para os clubes que disputam as finais europeias, no Brasil, os times são obrigados a correr entre o Brasileirão e as copas da Conmebol — muitas vezes sem apoio logístico real.

"É um caos organizacional", disse o técnico António Mohamed, comandante do Atlético-MG. "Nós temos jogadores que estão na seleção, outros que estão com lesões, e ainda assim temos que gerenciar sete jogos em menos de um mês. Não é só questão de físico. É mental. É emocional".

Os torcedores também sentem o peso. Em Belo Horizonte, os ingressos para o jogo contra o Flamengo já estão esgotados — e muitos torcedores não sabem se vão conseguir ir a Assunção. A viagem para o Paraguai custa em média R$ 3.200 por pessoa, e os voos estão lotados desde o início de novembro. "É a primeira final internacional do meu filho. Vou fazer o possível", contou Maria Silva, de 54 anos, que já reservou passagem e hotel.

O que vem a seguir?

O que vem a seguir?

O Atlético-MG encerra o Brasileirão com dois jogos em casa: contra o Palmeiras (data a ser definida) e contra o Vasco da Gama, em 7 de dezembro. Se o Galo vencer a Sul-Americana, será o primeiro clube mineiro a conquistar uma competição continental desde 2013. Mas, se perder, a pressão por resultados no Brasileirão só aumenta — e a classificação à Libertadores pode escapar por um fio.

A CBF ainda não divulgou o calendário completo da 34ª rodada em diante. Mas já há rumores de que a 38ª e última rodada será jogada em um único dia, em 7 de dezembro, para evitar que times com classificação definida descansem demais e prejudiquem a disputa. "É um jogo de xadrez com muito tempo e poucas peças", diz um analista da CBF. "E todos os times estão jogando com o mesmo baralho".

Frequently Asked Questions

Por que a CBF só mudou os jogos do Atlético-MG e não de todos os finalistas?

A CBF ajustou todos os jogos envolvendo finalistas da Libertadores e Sul-Americana — mas o Atlético-MG é o único que disputa duas finais consecutivas em 2025 (Sul-Americana e Libertadores, por causa do calendário). O Flamengo e o Palmeiras também tiveram jogos remanejados, mas não enfrentam tantas partidas em sequência quanto o Galo. A diferença é que o Atlético-MG precisa jogar sete jogos em 26 dias, enquanto os outros têm mais folga entre as competições.

Como o remanejamento afeta o Fortaleza?

O Fortaleza, que está na zona de rebaixamento com 32 pontos, ganha um jogo a mais para tentar escapar, mas perde o ritmo de jogos em casa. O confronto de ida contra o Atlético-MG foi movido de setembro para 30 de novembro — ou seja, o time cearense terá que enfrentar o Galo em um momento em que o adversário estará fisicamente exausto, mas emocionalmente motivado. É um risco, mas também uma chance.

O que acontece se o Atlético-MG perder a final da Sul-Americana?

Se o Galo perder em Assunção, a pressão por pontos no Brasileirão aumenta drasticamente. Com apenas quatro jogos restantes e a classificação à Libertadores em jogo, cada ponto será ouro. O jogo contra o Palmeiras, ainda sem data, pode se tornar um "jogo de vida ou morte". A equipe de António Mohamed terá que recuperar rapidamente o moral e a forma física — algo que não é fácil após uma derrota continental.

Por que o jogo contra o Palmeiras ainda não tem data?

A CBF está esperando o resultado da final da Libertadores para decidir a data do jogo. Se o Palmeiras vencer, ele pode priorizar a preparação para a final da Copa do Brasil ou o Mundial de Clubes, e o jogo contra o Atlético-MG pode ser adiado para o fim de dezembro. Se perder, o Palmeiras terá que jogar com tudo para garantir a vaga na Libertadores de 2026 — o que pode tornar o jogo mais disputado, mas também mais arriscado para o Atlético-MG.

Essa situação é comum no futebol brasileiro?

Não é comum, mas é cada vez mais frequente. Desde 2017, quando o Flamengo chegou à final da Sul-Americana e teve que jogar o Brasileirão com o time reserva, a CBF vem tentando ajustar o calendário. Mas os problemas persistem: falta diálogo entre clubes, federações e a própria CBF. O resultado? Times como o Atlético-MG viram o calendário virar um labirinto — e os torcedores, o preço da paixão.

O que o Atlético-MG pode fazer para lidar com essa carga?

A equipe já começou a rotacionar o elenco: jogadores como Matheus Cunha e Marlon estão sendo poupados em treinos, enquanto jovens da base, como Lucas Silva e Enzo Fernandes, ganham minutos. A preparação física está focada em recuperação ativa e sono — não em cargas altas. Mas o maior trunfo é a liderança de António Mohamed, que já passou por isso no México. "A mente vence quando o corpo cansa", ele diz. E talvez, só talvez, isso seja suficiente.

19 Comentários

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    Jaque Salles

    novembro 27, 2025 AT 01:09
    Essa pressão toda é absurda, mas o Galo tem perfil pra encarar. Jogadores com cabeça, treinador experiente, torcida louca. Vai ser histórico, seja qual for o resultado.
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    Alandenicio Alves

    novembro 28, 2025 AT 15:42
    CBF é uma bagunça organizacional. Se fosse na Europa, já teriam feito um calendário especial pra finalistas. Aqui, só dá jeito quando o time é grande.
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    Paulo Roberto Celso Wanderley

    novembro 30, 2025 AT 04:08
    O Atlético-MG tá sendo usado como cobaia pra provar que o futebol brasileiro não tem estrutura. Sete jogos em 26 dias? Isso é crime contra o corpo humano. E a CBF ainda se vangloria de "dar condições".
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    Ana Paula Martins

    novembro 30, 2025 AT 17:30
    A situação apresentada demonstra uma clara inadequação na gestão do calendário esportivo nacional, conforme evidenciado pela sobreposição de compromissos competitivos e logísticos.
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    Santana Anderson

    dezembro 2, 2025 AT 14:51
    ISSO É UM ESCÂNDALO!!! 🚨🔥 O Galo vai morrer de cansaço e a CBF ainda vai falar que "foi por amor ao futebol"?!?!?!?!? E o Fortaleza? E o Palmeiras? E o Flamengo?!?!?!?!?!?!?!?!
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    Celso Jacinto Biboso

    dezembro 3, 2025 AT 05:03
    cara a cbf e tudo foda, mas o atletico e o unico que ta na final de duas copas ao msm tempo, entao ta tudo bem, os outros tem folga, o galao vai ter que suportar
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    Luan Bourbon

    dezembro 5, 2025 AT 03:03
    Ah, claro. A CBF "dá condições". Como se o futebol brasileiro não fosse um circo ambulante com orçamento de terceiro mundo. Enquanto isso, na Espanha, os clubes têm semanas inteiras de recuperação. Mas aqui? "Vai, guerreiro!" 😒
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    Angelique Rocha

    dezembro 5, 2025 AT 17:29
    É curioso como o futebol reflete a sociedade: pressão, caos, e ainda assim, a gente se apaixona. Talvez seja isso que nos mantém vivos - a beleza de ver alguém lutar contra tudo isso.
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    Fabiano Seixas Fernandes

    dezembro 6, 2025 AT 12:53
    Brasil é o único país que faz o povo pagar R$3.200 pra ver o time na final da Sul-Americana e ainda acha que é normal. O povo tá morrendo de fome, mas o futebol tem que ser sagrado, né? Vai, Galo, morre de exaustão pelo orgulho nacional!
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    Vitor Rafael Nascimento

    dezembro 7, 2025 AT 06:08
    A lógica da CBF é paradoxal: ao tentar proteger os finalistas, ela os submete a um ritmo insustentável - o que, por sua vez, anula o propósito da proteção. É uma contradição existencial no futebol brasileiro.
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    Alessandra Souza

    dezembro 9, 2025 AT 05:08
    O modelo de gestão da CBF é obsoleto. Não há gestão de carga de trabalho, não há biofeedback, não há política de recuperação ativa. É pura ideologia de "coragem brasileira" - que na prática é negligência disfarçada de heroísmo.
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    Leonardo Oliveira

    dezembro 9, 2025 AT 07:05
    A gente esquece que por trás de cada jogo tem um jogador que dormiu 4 horas, viajou 12 horas, e ainda assim foi pra campo. O Atlético-MG tá mostrando o que é verdadeiro futebol: sacrifício, coragem, e paixão. Não é só um clube, é um exemplo.
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    Adrielle Saldanha

    dezembro 10, 2025 AT 06:31
    Se o Palmeiras ganhar a Libertadores, o jogo contra o Atlético-MG vai ser uma piada. Vão mandar o time B, e o Galo vai ter que vencer com os restos da equipe que jogou em Assunção. Isso é futebol ou teatro?
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    Bruno Santos

    dezembro 11, 2025 AT 22:54
    Não é só o calendário que está apertado, é a alma do time. Sete jogos em 26 dias? Isso não é futebol, é uma maratona de sobrevivência. Mas o Galo tem algo que poucos têm: identidade. E isso, às vezes, vence o cansaço. Ainda assim, é injusto. Muito injusto.
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    Rodrigo Molina de Oliveira

    dezembro 13, 2025 AT 12:42
    O que mais me impressiona é como o povo se move por isso. Mães que vendem coisas, trabalhadores que juntam dinheiro, jovens que pegam empréstimo só pra ver o time na final. O futebol aqui não é esporte, é religião. E a CBF? É a igreja que pede sacrifícios... e não dá nada em troca.
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    Flávia Cardoso

    dezembro 15, 2025 AT 09:21
    A decisão da CBF, embora tecnicamente justificável, carece de uma análise mais profunda sobre os impactos psicofisiológicos dos atletas em um contexto de alta intensidade competitiva.
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    Isabella de Araújo

    dezembro 15, 2025 AT 22:49
    Eles não vão vencer a Sul-Americana, vão perder por cansaço. E depois vão dizer que o time "não quis". Mas quem quer perder? Quem quer viajar, treinar, jogar, viajar, jogar, viajar, jogar, sem dormir? Isso é tortura, não futebol. E o pior? A CBF vai ganhar dinheiro com isso. Enquanto os jogadores vão pro hospital.
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    Elaine Querry

    dezembro 17, 2025 AT 09:47
    Brasil tem que parar de se achar inferior. Outros países têm calendário organizado, nós temos caos. Mas o Atlético-MG é brasileiro, e brasileiro vence no caos. Vai, Galo! 🇧🇷🔥
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    Joseph Foo

    dezembro 17, 2025 AT 19:59
    Se o Atlético-MG vencer, vai ser o maior feito do futebol sul-americano da última década. Não por sorte, mas por pura força de vontade. E isso, não tem dinheiro que pague.

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