Piastri recusa ajudar Norris na luta pelo título da F1 no Qatar, mesmo com vantagem do companheiro

Piastri recusa ajudar Norris na luta pelo título da F1 no Qatar, mesmo com vantagem do companheiro
Luana Bassaneze 29 novembro 2025 15 Comentários

Quando Oscar Piastri olhou nos olhos dos diretores da McLaren e disse "não", o clima no Lusail International Circuit mudou. O australiano de 23 anos, que está empatado com Max Verstappen na classificação da F1, recusou categoricamente qualquer ordem para ajudar seu companheiro de equipe, Lando Norris, a vencer o campeonato. E não foi um "não" educado. Foi um "não" de quem sabe que o título ainda está vivo — e que ele não vai deixar de lutar por ele só porque o time quer.

A situação que virou caos

Tudo começou na Grande Prêmio de Las Vegas, em 24 de novembro de 2025. Norris estava em segundo, Piastri em quarto, e Verstappen venceu. A vantagem de Norris sobre Piastri chegou a 30 pontos. Mas a FIA descobriu que os skid plates dos dois carros da McLaren tinham menos de 9mm de espessura — o mínimo permitido. Ambos foram desclassificados. De repente, a liderança de Norris caiu para 24 pontos. E com 58 pontos ainda em jogo — dois finais de semana, duas corridas, um sprint — tudo voltou para o zero. Literalmente.

"Um caçador tem que ser implacável"

Piastri não escondeu sua postura. Em entrevista no paddock, ele foi direto: "Tivemos uma breve conversa. A resposta é não." Ele não falou em traição, nem em lealdade. Falou em caçador. "Um caçador tem que ser implacável, acho. Vou fazer o melhor que puder... só estou tentando extrair o máximo de mim mesmo." É um discurso que ecoa nas pistas desde Senna: o título é individual, mesmo quando o carro é de equipe.

Ele lembrou que já viu campeonatos virarem de cabeça para baixo. Em 2021, Verstappen superou Hamilton com um último giro. Em 2008, Hamilton venceu por um ponto. "Já aconteceu. Não é impossível", disse, com os olhos fixos no futuro. Matematicamente, ele precisa vencer as duas corridas restantes — Qatar e Abu Dhabi — e que Norris termine em terceiro em ambas as corridas do Qatar e em quarto em Abu Dhabi. Só assim, com um ponto de vantagem, ele vence.

Um gesto que desafiou a equipe

Mas o mais surpreendente não foi o "não" de Piastri. Foi o "sim" de Norris.

No Sprint de Qatar, em 28 de novembro, Norris tinha a chance de manter sua posição e garantir pontos cruciais. A equipe, liderada pelo chefe Andrea Stella, pediu três vezes para ele não ceder a posição. O motivo? George Russell, da Mercedes, estava a apenas 0,063 segundos atrás na classificação. Um erro, e Russell poderia ultrapassar Norris e se tornar ameaça direta.

Norris fez o oposto. Na reta final, deixou Piastri passar. Terminou 0,136 segundos atrás. Russell, 0,274 segundos atrás. "Foi um pouco mais perto do que eu queria", admitiu Norris após a corrida. "Mas planejei fazer isso desde São Paulo. Foi o que acho certo. Talvez seja um pouco arriscado. A equipe me disse para não fazer, mas achei que daria certo. E deu." Stella, que já havia enfrentado crises de equipe em 2021, sorriu. "Lando estava disposto a devolver o favor. Isso segue nossos princípios — justiça, esportividade." Mas ele deixou claro: "Um ponto para Oscar não foi fator no campeonato."

O que os especialistas dizem — e o que não dizem

Analistas da SEN chamam a trajetória de Piastri de "desmoronamento silencioso". Ele não sobe ao pódio desde o GP da Itália, em setembro. Em outubro, era o terceiro mais rápido. Hoje, segundo especialistas, está no quinto lugar da velocidade real da pista. Ele perdeu 104 pontos para Verstappen e 34 para Norris em apenas um mês. "Precisa de algo mágico", disse um técnico anonimamente. "Não é só questão de carro. É de confiança. E ele perdeu a confiança da equipe." Mas Piastri não vê isso. Ele vê uma chance. E uma equipe que, por um momento, decidiu não apagar essa chance.

O que está em jogo em Abu Dhabi

O que está em jogo em Abu Dhabi

Se Norris conseguir manter uma vantagem de mais de 25 pontos após o Grande Prêmio do Catar, ele vence o título antes mesmo de chegar a Abu Dhabi. Caso contrário, a decisão vai para a última corrida, em 7 de dezembro. E aí, tudo muda. Se Piastri vencer, e Norris não subir ao pódio, o título é dele. Se Norris vencer, e Piastri não chegar em segundo, Norris vence. E se Verstappen vencer e os dois da McLaren falharem? A Red Bull entra na festa. Aí, a McLaren deixa de ser protagonista — e vira coadjuvante.

A tensão que não foi resolvida

A McLaren está entre a espada e a parede. Apoiar Norris é lógico: ele lidera. Mas silenciar Piastri é um risco. Ele é jovem, talentoso, e já demonstrou que pode vencer. Se ele se sentir traído, pode sair em 2026 — e a equipe perde um ativo de longo prazo. E se Norris vencer com ajuda? A vitória terá um gosto amargo. Se vencer sozinho? Será um título de guerreiro.

Ninguém sabe o que vai acontecer em Abu Dhabi. Mas uma coisa já está clara: na F1, o que se joga não é só o campeonato. É a alma da equipe.

Frequently Asked Questions

Por que Piastri se recusou a ajudar Norris mesmo estando empatado com Verstappen?

Piastri está empatado com Verstappen em pontos, o que significa que ele ainda tem chances reais de vencer o campeonato — mesmo sendo segundo na classificação da McLaren. Ele acredita que o título é individual e que ceder posições por ordem da equipe comprometeria sua própria trajetória. Além disso, ele não vê Norris como um "líder" que merece prioridade, mas como um rival dentro da mesma equipe.

Como Norris conseguiu passar Piastri no Sprint de Qatar se a equipe pediu para não fazer isso?

Na verdade, foi o contrário: Norris permitiu que Piastri o ultrapassasse, não o contrário. Ele fez isso como um gesto de reciprocidade, já que Piastri havia feito o mesmo por ele no Sprint de São Paulo. A equipe tentou impedir, mas Norris agiu por convicção pessoal, dizendo que era "o que acreditava ser certo". A decisão foi arriscada, mas resultou em um ponto extra para Piastri e uma demonstração de esportividade.

Qual é a matemática exata para Piastri vencer o campeonato?

Piastri precisa vencer tanto o Sprint quanto a corrida principal no Catar, e também vencer em Abu Dhabi. Ao mesmo tempo, Norris precisa terminar em terceiro nos dois eventos do Catar e em quarto em Abu Dhabi. Nesse cenário, Piastri chegará a 420 pontos, e Norris a 419 — vitória por um único ponto. É um cenário extremamente raro, mas já aconteceu na F1 — como em 2008, quando Hamilton venceu por um ponto.

O que a desclassificação de Las Vegas mudou na disputa?

Antes da desclassificação, Norris tinha 30 pontos de vantagem sobre Piastri. Após perderem os pontos da corrida, a diferença caiu para 24. Isso transformou o campeonato de uma corrida decidida em uma batalha aberta. Sem essa desclassificação, Norris já teria o título garantido antes do Catar. A punição da FIA deu nova vida à disputa — e colocou a McLaren em uma situação sem precedentes.

Andrea Stella realmente apoia Piastri ou só está fingindo?

Stella diz que valoriza a esportividade, mas sua prioridade é o título da equipe. Ele não está apoiando Piastri abertamente — apenas não o impedindo. A McLaren ainda quer Norris como campeão, mas não quer criar um conflito interno que possa destruir a equipe no futuro. O gesto de Norris foi uma exceção, não uma política. Stella está equilibrando o presente com o futuro.

Se Piastri vencer o título, ele vai sair da McLaren?

Ninguém sabe com certeza, mas fontes próximas à equipe indicam que Piastri tem contrato até 2027. No entanto, se ele vencer o título em 2025 com a McLaren, mas se sentir que a equipe não o apoiou de verdade, ele pode exigir mais autonomia em 2026 — ou até buscar uma vaga na Red Bull, que já demonstrou interesse. A vitória poderia ser seu cartão de entrada para a equipe mais poderosa da F1.

15 Comentários

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    MELINA Lima

    novembro 29, 2025 AT 19:34

    Piastri fez o que todo atleta deveria fazer: lutou pelo seu sonho. Ninguém merece ser obrigado a abrir mão de um título só porque o time quer. Isso não é esporte, é escravidão disfarçada de equipe.
    Parabéns, Oscar. Você não é só rápido, é corajoso.

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    Carlos Eduardo Cordeiro

    dezembro 1, 2025 AT 19:03

    Claro, claro... e aí vem a McLaren com um plano secreto pra deixar Norris perder. Tudo isso é uma farsa da FIA pra manter a Red Bull no topo. Você acha mesmo que um garoto de 23 anos consegue desafiar a máquina sem ter apoio oculto? Eles já sabiam que o carro do Norris ia ter problema no Qatar...
    Isso é tudo um show. O título vai pro Verstappen de qualquer jeito. E Piastri? Só um peão no tabuleiro.

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    Giulia Ayumi

    dezembro 3, 2025 AT 06:46

    meu deus que emoção isso aqui 😭
    o Norris fez isso por respeito, o Piastri fez por dignidade... e a McLaren? Tá tentando equilibrar o mundo com uma balança de papel.
    Se o Oscar vencer, ele vai ser lenda. Se perder, vai ser o herói que ninguém merece.
    Eu tô torcendo pra ele ganhar, mas se não der, pelo menos ele não se vendeu. E isso vale mais que qualquer troféu.

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    Kauan Santos

    dezembro 4, 2025 AT 16:09

    The decision by Piastri to decline team orders reflects a fundamental principle in motorsport: individual merit over institutional coercion. Norris's reciprocal gesture underscores a rare integrity in contemporary competition. The McLaren organization now faces a strategic dilemma between short term results and long term cultural cohesion. The mathematical probability of Piastri's championship scenario remains statistically improbable yet historically precedent exists. This moment transcends sport and enters the realm of ethical paradigm.

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    Ulisses Alves

    dezembro 5, 2025 AT 12:42

    OH, POR FAVOR. Você acha que isso é "esportividade"? Não é nada disso. É um espetáculo montado pela McLaren pra criar drama, aumentar o engajamento, e vender mais ingressos! Norris "deixou passar"? Claro que sim - porque ele sabe que se fizer isso, todo mundo vai falar que ele é "herói", e aí o time pode dizer que "não pressionou" ninguém! E Piastri? Ele tá só aproveitando o caos pra se tornar o vilão da história! Tudo isso é manipulação! E o público? A gente cai de cabeça nisso como se fosse um filme da Netflix! Tudo é marketing, tudo é fake! E vocês ainda acreditam nisso?!?!?!?!?!?

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    Daiana Araújo Martins Danna

    dezembro 7, 2025 AT 02:17

    ISSO AQUI É O QUE O ESPORTE DEVERIA SER. NÃO É SÓ VELOCIDADE. É CORAGEM. É INTEGRIDADE. É TER CORAÇÃO.
    PARABÉNS AOS DOIS. NÃO IMPORTA QUEM VENÇA. O QUE IMPORTA É QUE ELES NÃO ESCONDERAM A ALMA DELES NAS PISTAS.
    SE VOCÊ NÃO ESTÁ TORCENDO POR ISSO, VOCÊ NÃO ENTENDE NADA DE F1.
    ISSO É HISTÓRIA. E VOCÊ ESTÁ VIVENDO.

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    claudio de souza silva

    dezembro 7, 2025 AT 22:44

    meu deus, isso é mais épico que o último episódio de Game of Thrones 🤯
    Piastri é o Jon Snow da F1, Norris é o Arya, e a McLaren é o Vale dos Verões...
    Se o Oscar vencer, eu vou fazer uma tattoo de um caçador com capacete. Se perder, eu vou chorar na frente do meu gato.
    ALGUÉM ME DIZ SE É REAL OU SE A FIA ESTÁ FILMANDO UMA SÉRIE?!?!?!?!?!

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    Josiane Amedon

    dezembro 8, 2025 AT 05:54

    É importante lembrar que, em termos de desempenho técnico, Piastri tem sido consistente nas últimas corridas, apesar da perda de pontos. O carro da McLaren tem apresentado instabilidade em curvas de alta velocidade, o que afeta mais os pilotos que dependem de precisão na tração, como ele. Norris, por outro lado, tem uma técnica mais suave em pista seca, o que explica sua vantagem na classificação. Mas a decisão de não interferir é um sinal de maturidade da equipe. A pressão psicológica sobre Piastri é imensa - ele não tem apoio claro, mas não desiste. Isso é o que define grandes campeões. Não é só a velocidade, é a resiliência. E ele está demonstrando isso em cada volta. Ainda que matematicamente seja difícil, o valor simbólico dessa luta é imensurável. A F1 precisa de mais momentos assim - onde o ser humano pesa mais que os algoritmos.

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    Bruno Taubenfeld

    dezembro 9, 2025 AT 18:04

    o cara tá com 23 anos e tá fazendo o que nenhum outro piloto fez na história da F1 🤯
    ele não tá pedindo pra ninguém fazer nada... ele só tá dizendo: "eu vou dar o meu melhor"
    e o norris? ele tá dizendo: "eu vou deixar você tentar"
    isso aqui é o que o esporte deveria ser, não esse negócio de ordens e controle
    se eu tivesse um filho, eu queria que ele fosse assim: corajoso, honesto, e com coração
    parabéns, boys. vocês são o que a F1 precisa agora 🙌

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    Gabriela Prates

    dezembro 10, 2025 AT 19:05

    Eu fico pensando: será que o Piastri está mesmo agindo por ambição... ou por uma necessidade mais profunda de provar que ele não é só o "segundo"? Que ele não é o "acompanhante" do Norris? Que ele tem uma identidade própria? Porque, no fundo, talvez o que ele esteja lutando não seja só o título - mas o direito de ser visto como igual. E Norris, ao permitir a ultrapassagem, talvez esteja dizendo: "eu te vejo. E eu te respeito." Isso é raro. Isso é lindo. E talvez, por isso, mesmo que ele perca, ele já tenha vencido.

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    Gerson Júnior

    dezembro 11, 2025 AT 09:23

    Esportividade não é ceder. É respeitar a luta do outro.

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    Leonardo Araújo

    dezembro 12, 2025 AT 21:20

    o universo tá testando a alma da F1 🌀
    se o Oscar vencer, é o caos virando ordem
    se o Norris vencer, é a ordem virando caos
    e se o Verstappen vencer? então o universo tá rindo da gente
    o que é mais real: o ponto ou a alma?
    eu tô perdido... mas tô torcendo pra tudo ser verdade

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    fernando almeida

    dezembro 13, 2025 AT 14:03

    isso aqui é o que a F1 precisa de verdade
    sem ordens
    sem manipulação
    sem pressão
    só piloto, carro e coragem
    parabéns aos dois
    seja quem vencer, o esporte venceu
    agora é só torcer e assistir
    porque isso aqui é puro

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    William Primo

    dezembro 13, 2025 AT 19:39

    Brasil não tem nada a ver com isso! Esses piloto é tudo inglês! A McLaren é britânica! A FIA é europeia! E o Piastri? Ele é australiano! E vocês estão torcendo por um estrangeiro contra outro estrangeiro? Onde está o orgulho nacional? Onde está o nosso herói? Onde está o brasileiro nisso tudo?!?!?!?!

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    Matheus Soares

    dezembro 14, 2025 AT 22:28

    É curioso como o silêncio de uma equipe pode falar mais que mil ordens. A McLaren não apoiou Piastri, mas também não o sufocou. Não apoiou Norris, mas não o abandonou. Eles escolheram não escolher. E isso, talvez, seja o maior ato de confiança possível. Porque o verdadeiro esporte não se mede em vitórias, mas em liberdade. E hoje, os dois pilotos têm mais liberdade do que qualquer campeão dos últimos dez anos.

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