Em 2026, o Dia das Mães será celebrado no dia 10 de maio. Mas por que essa data específica? A resposta remonta a uma decisão política do início do século XX nos Estados Unidos e foi adaptada ao contexto brasileiro décadas depois. O que começou como um tributo pessoal transformou-se num dos maiores eventos comerciais e emocionais do calendário nacional.
A celebração ocorre na segunda domenica de maio, seguindo o padrão internacional estabelecido há mais de um século. No entanto, a história por trás dessa data é muito mais complexa do que simples cartões e flores. Ela envolve lutas feministas, decretos presidenciais e uma ironia histórica que poucos conhecem.
A Origem Americana e a Ironia de Anna Jarvis
Tudo começou com Anna Maria Jarvis. Em 1908, após a morte de sua mãe, Ann Reeves Jarvis, Anna organizou uma cerimônia memorial em Grafton, West Virginia. Sua intenção era honrar o sacrifício das mães durante a Guerra Civil Americana e promover a paz entre famílias divididas pelo conflito.
Anna passou anos escrevendo cartas para líderes políticos e industriais. Seu esforço obteve sucesso quando o presidente Woodrow Wilson, em 1914, assinou um decreto tornando a segunda domenica de maio um feriado nacional oficial nos EUA.
O twist? Anna Jarvis acabou se opondo à comercialização da festa. Ela processou empresas que usavam símbolos da data sem permissão e chegou a pagar contas de restaurantes para impedir reuniões corporativas no dia. "Não quero que seja apenas uma troca de cartões", ela dizia, frustrada com o que considerava uma banalização do sentimento original.
Como o Dia das Mães Chegou ao Brasil
No Brasil, a trajetória foi diferente. A primeira comemoração documentada ocorreu antes mesmo do decreto oficial. Em 12 de maio de 1918, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, a Associação Cristã dos Moços (ACM) promoveu a primeira homenagem pública às mães.
A instituição formal veio em 1932. O presidente Getúlio Vargas assinou o decreto nº 21.577, instituindo oficialmente o Dia das Mães. Curiosamente, esse ano também marcou outra vitória crucial: o voto feminino no Brasil, garantido pela Constituição de 1932.
A escolha da segunda domenica de maio não foi acidental. Vargas buscou alinhar o Brasil às tendências internacionais, especialmente aos EUA, mas também houve influência religiosa. A Igreja Católica já associava o mês de maio à Virgem Maria, facilitando a aceitação popular da data.
Raízes Antigas: De Rhea à Virgem Maria
A veneração materna não é moderna. Na Grécia Antiga, entre 1200 a.C. e 146 a.C., celebrava-se a "Cybele" em honra a Rhea, mãe dos deuses Zeus, Poseidon e Hades. Esses rituais envolviam oferendas e procissões públicas.
Já na tradição cristã, o mês de maio sempre teve conexão com a Virgem Maria. Antes do decreto de Vargas, igrejas em todo o Brasil já realizavam homenagens informais. Em 1947, Dom Jaime de Barros Câmara, cardeal-arquiepiscopado do Rio de Janeiro, consolidou essa ligação religiosa, incentivando paróquias a incluir o Dia das Mães nas atividades litúrgicas.
O Fenômeno Comercial Brasileiro
Hoje, o Dia das Mães é o segundo maior motor do varejo no Brasil, perdendo apenas para o Natal. Segundo dados da Associação Brasileira de Comércio Varejista (ABCV), as vendas nesse período podem representar até 15% do faturamento anual de lojas de presentes e floriculturas.
Rosas continuam sendo a flor mais presente, simbolizando amor e gratidão. Mas o perfil das compras mudou: experiências, como jantares e viagens, ganham espaço sobre objetos físicos. Em 2026, espera-se que os gastos per capita aumentem em cerca de 8% em relação ao ano anterior, impulsionados pela recuperação pós-pandemia.
Essa transformação reflete uma mudança cultural. As mães hoje são vistas não apenas como cuidadoras, mas como indivíduos com desejos próprios. Presentes personalizados e serviços de conveniência refletem essa nova dinâmica familiar.
Celebrações na América Latina
O Brasil não está sozinho. Chile, Colômbia, Peru e Venezuela também celebram na segunda domenica de maio. Em cada país, há nuances culturais:
- México: Monumento à Mãe em Cidade do México, com a inscrição "À que nos amou antes de nos conhecer".
- Argentina: Celebra em terceiro domingo de outubro, diferenciando-se do resto da região.
- Chile: Tradição de preparar pequenos cafés matinais especiais para as mães.
Essas variações mostram como uma mesma ideia global se adapta a contextos locais, mantendo o núcleo emocional intacto.
Perguntas Frequentes sobre o Dia das Mães
Por que o Dia das Mães é celebrado na segunda domenica de maio?
A data foi definida pelos Estados Unidos em 1914, sob o presidente Woodrow Wilson, inspirada pela campanha de Anna Jarvis. O Brasil adotou essa mesma semana em 1932, via decreto de Getúlio Vargas, alinhando-se ao padrão internacional e aproveitando a associação religiosa do mês de maio com a Virgem Maria.
Quem foi a primeira pessoa a celebrar o Dia das Mães no Brasil?
A primeira celebração documentada ocorreu em 12 de maio de 1918, em Porto Alegre, organizada pela Associação Cristã dos Moços (ACM). Embora não fosse oficial, esse evento precedeu o decreto de Getúlio Vargas em 14 anos, mostrando que a ideia já tinha raízes locais.
Anna Jarvis criou o Dia das Mães para vender presentes?
Não, exatamente o oposto. Anna Jarvis lutou contra a comercialização da data. Ela queria que o Dia das Mães fosse um momento de reflexão e paz, não de consumo. Ironia histórica: ela gastou grande parte de sua fortuna processando empresas que usavam símbolos da festa sem autorização.
Qual a importância econômica do Dia das Mães no Brasil?
É o segundo maior evento de vendas do ano, atrás apenas do Natal. Setores como floricultura, joalheria e alimentação têm picos significativos. Em 2026, estima-se que milhões de reais serão movimentados, refletindo tanto a valorização cultural quanto a força do marketing sazonal.
Outros países da América Latina celebram na mesma data?
Sim, Chile, Colômbia, Peru e Venezuela seguem a regra da segunda domenica de maio. Já Argentina e Uruguai celebram em outros meses. Essa padronização facilita campanhas regionais de marcas, mas cada país mantém tradições únicas, como o café matinal chileno ou monumentos mexicanos.